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Respeito
- "Se achamos que o nosso
objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela terra é acumular riquezas,
então não temos nada a aprender com os índios. Mas se acreditarmos
que o ideal é o equilíbrio do homem dentro da sua própria família,
e dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias
para nos dar."
(Claudio Villas-Bôas ; sertanista)
- "O índio estacionou no
tempo e no espaço. O mesmo arco que ele faz hoje, seus antepassados
faziam há mil anos. Se eles pararam nesse sentido, evoluíram quanto
ao comportamento do homem dentro da sociedade. O índio em sua tribo
tem um lugar estável e tranquilo. É totalmente livre, sem precisar
dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade
tribal, toda a coesão, está assentada num mundo mítico. Que diferença
enorme entre as duas humanidades: uma tranquila, onde o homem é dono
de todos os seus atos. Outra, uma sociedade em explosão, onde é preciso
um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz
dentro da sociedade."
(Orlando Villas-Bôas ; sertanista)
- "As diferenças superficiais
entre os homens encobrem uma unidade profunda."
(Claude Lévi-Strauss; antropólogo)
- "O índio brasileiro tem
direitos. Direitos definidos na Constituição. Eu insisto neste ponto,
na existência de direitos, porque tenho ouvido e lido palavras a respeito
da conveniência de respeitar esses direitos. No momento em que eu
abandono a Constituição, acabou o Direito, acabou a Justiça, acabou
a paz social. Não há inconstitucionalidades convenientes"
(Dalmo Dallari ; jurista)
- "Em vários grupos indígenas
brasileiros se encontra a visão de que é preciso 'amansar o branco',
fazê-lo ver que a vida não pode fundar-se na devastação."
(Washington Novaes; jornalista)
- "São comuns as narrativas
em que os índios aparecem como irresponsáveis predadores da própria
natureza em seu todo; matando, destruindo, incendiando. Absurdo. Como
ninguém, eles se consideram parte da Natureza em que vivem, têm por
ela um respeito que nossa civilização perdeu há muito tempo."
(Orlando Villas-Bôas ; sertanista)
- falando sobre o passado:
"Nenhum povo pode deixá-lo perecer antes de haver tomado consciência,
inteiramente, de sua originalidade e de seu valor, e antes de tê-lo
memorizado. Isto é uma verdade geral, porém mais ainda no caso desses
povos que se encontram na situação privilegiada de viver seu passado
no momento exato em que, para eles, um futuro diferente se delineia."
(Claude Lévi-Strauss; antropólogo)
- "Os índios não têm o fanatismo
da verdade. Várias versões discrepantes sobre os mesmos eventos são
perfeitamente assumidas."
(Darcy Ribeiro ; antropólogo,
no livro 'Diários Índios')
- sobre os índios Guarani-Kaiowá:
"... em poucos povos se testemunha uma religiosidade tão intensamente
vivida: queremos ser deuses, eles dizem; mas só somos homens"
(Pierre Clastres ;
antropólogo)
- "...há também o grave
problema do relacionamento entre os índio e o elemento humano vindo
de fora, isto é, o civilizado. De que forma se poderia conciliar as
duas sociedades ? Uma estável, ajustada ao meio, equilibrada, apoiada
em padrões culturais bem definidos; e outra adventícia, desordenada,
que chega para transformar florestas em pastagens e cujos membros
não mantém entre si nenhum vínculo, exceto o mesmo e constante propósito
de obter lucros."
(Orlando Villas-Bôas ; sertanista)
-
"É
muito difícil entender outra pessoa. Às vezes são línguas,
comportamentos diferenciados que não conseguimos entender, mas isto
não é importante. O importante é respeitar, vamos respeitar o diferente.
Somos seres humanos; passamos 60, 70 anos nesta terra e depois vamos
embora. Devemos então ter solidariedade."
(Sidney
Possuelo; sertanista)
- "Por quê não perpetuar,
mesmo colocando-os somente por escrito, velhos hábitos e costumes
que estão de toda forma condenados ? Quanto menos lhes prestarmos
atenção, mais depressa hão de desaparecer. Nós mesmos, em alguns períodos
de nossa história, não teremos cedido às mesmas ilusões e fomos obrigados,
mais tarde a multiplicar esforços para reatar com um passado cujas
raízes havíamos querido cortar?"
(Claude
Lévi-Strauss; antropólogo)
- "Poderíamos dividir os
políticos: aquele que vê as razões do índio e aquele que vê
o problema em função dos seus próprios interesses."
(Orlando Villas-Bôas ; sertanista)
- sobre críticas
à atividade fotográfica em aldeias indígenas:
"É algo que dói ouvir, mas não me sinto atingida e jamais me desmotivei
por isso. Tenho convicção de que não levei elementos negativos a nenhum
desses lugares. Isso não tem relação com a fotografia em si, mas com
a qualidade do ser humano que para lá se dirige, ou seja, com a integridade
da pessoa e com sua postura ética. Podem ser fotógrafos, antropólogos,
geólogos, o que quiser - e obviamente políticos também. Temos de considerar
sua postura frente ao ser humano em sua totalidade."
(Claudia Andujar ; fotógrafa)
-
sobre
o povo Guarani: "Eles são muito mais abertos do que nós para
aprender as coisas dos outros, eles dialogam com a gente. O dialogo
intercultural não somos nós que fazemos, são eles. Quantos de nós
falamos Guarani? E quantos deles sabem português? A maioria. Eles
aprendem, mas também estão escolhendo não sair do modo de vida deles.
É uma escolha positiva, não é porque não saibam sair, é que não
querem sair. Estes povos são exemplos pra nós de dialogo intercultural,
que não e botar água no vinho e fazer uma coisa que não é nem água
nem vinho. Diálogo cultural é beber água e beber vinho."
(Bartolomeu Meliá ; jesuíta)
-
"Eles
(os índios) precisam ser ouvidos e não tutelados
ou tratados arbitrariamente. Os índios não estão
em vias de extinção. Se encontram, como grande parte
da população, sob risco de miséria, de falta
de assistência médica, educação, e de
incentivo a práticas de geração de renda. Mas
continuam aumentando sua população e etnias, totalizando
hoje cerca de 700 mil (pessoas)."
(João Pacheco de Oliveira; professor
do Departamento de
Antropologia do Museu Nacional / UFRJ)
-
"O que
mais me chamou atenção no (Parque Indígena
do) Xingu foi a doçura das relações. As
pessoas daquele lugar são uma maravilha! Fui para lá
acompanhado de um assistente, que é francês, e ele
disse uma coisa engraçada e que caracteriza bem o clima de
lá: 'aqui a gente não viu nem cachorro brigar, não
é Sebastião!'. E foi assim mesmo, a gente não
viu agressividade entre as pessoas, o que é tão comum
hoje em dia em vários lugares do planeta, não é
mesmo ? Mas lá não tinha."
(Sebastião Salgado;
fotógrafo)
- sobre os índios:
"Sabe da civilização
que vem e é inevitável, mas nem suspeita do seu horror,
que virá destruir a adaptação ecológica
e a convivência solidária que têm, raríssima.
Nossa civilização é incapaz de criá-las
ou preservá-las. No mundo inteiro seu papel foi destruí-las,
empobrecendo, apropriando, dizimando os povos que encontrou."
(Darcy Ribeiro; antropólogo)
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