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Pensamento Indígena
e Tradicional
-
"Eu dou
um recado para vocês brancos, para que não poluam os rios. Porquê
isso vai afetar o futuro não só dos índios mas dos filhos de vocês
também."
(Aritana Yawalapiti ; líder do povo
Yawalapiti, do Mato Grosso)
- "Nós índios,
olhamos para esse mundo do homem branco e verificamos que essa civilização
não deu certo."
(Marcos Terena
; do povo Terena,
do Mato Grosso do Sul)
- "Antes
nós não sabíamos que tínhamos limites, só sabíamos que tudo era floresta...
Agora demarcamos nossa área porquê é só o que sobra dos lugares antigos."
(Kumai
; índio do povo Waiampi, do Amapá)
- "Eu não fico deitado sem
pensar."
(Rupawê;
velho sábio do povo Xavante, do Mato Grosso)
- "No dia em que não
houver lugar para o índio no mundo, não haverá
lugar para ninguém."
(Aílton Krenak ;
do povo Krenak, de Minas Gerais)
- "Você vai me dizer: o
índio tá falando mas é selvagem; selvagem é vocês, milhares de anos
estudando e nunca aprenderam a ser civilização. Pra que você está
estudando ? Pra destruir a Natureza e no fim destruir a própria vida
?"
(José Luiz Xavante)
- "Eu lutei, mas a guerra
não é necessária, não resolve nada. Guerra é coisa de gente cabeça
dura que, mesmo com estudo, não pensa. O que resolve é o amor."
(Aurélio Jorge Terena; índio do povo Terena,
que lutou pelo Exército Brasileiro na Itália, durante
a II Guerra Mundial)
- "Nós os índios, sempre
cantamos e dançamos nas nossas cantorias, como forma de manter a unidade
do nosso povo e a alegria da comunidade. Se a gente cantar e dançar,
nós nunca vamos acabar."
(Verônica Tembé; líder da aldeia Tekohaw,
do povo Tembé)
- "Para nós indígenas,
a palavra é de grande valor. É através das histórias contadas pelos
mais velhos que mantemos viva a nossa identidade e firme a memória
da nossa história, o uso e o cuidado com a nossa terra sagrada. Mas,
descobrimos nesses 500 anos de colonização que para os não-índios
a palavra não vale nada."
(Carta
do Ororubá; IV Assembléia Geral do povo Xukuru do
Ororubá)
- "Queremos que a floresta
permaneça silenciosa, que o céu continue claro, que a escuridão da
noite caia realmente e que se possam ver as estrelas. As terras dos
brancos estão contaminadas, estão cobertas de uma fumaça-epidemia
xawara que se estendeu muito alto no peito do céu. Essa fumaça se
dirige para nós, mas ainda não chega lá, pois o espírito celeste Hutukarari
a repele ainda, sem descanso. Acima de nossa floresta o céu ainda
é claro, pois não faz muito tempo que os brancos se aproximaram de
nós. Mas bem mais tarde, quando eu estiver morto, talvez essa fumaça
aumente a ponto de estender a escuridão sobre a terra e de apagar
o sol. Os brancos nunca pensam nessas coisas que os xamãs conhecem,
é por isso que eles não têm medo. Seu pensamento está cheio de esquecimento.
Eles continuam a fixá-lo sem descanso em suas mercadorias, como se
fossem suas namoradas."
(Davi Yanomami ; pajé e líder do povo Yanomami)
- sobre o homem branco:
"O mundo deles é quadrado, eles moram em casas que parecem caixas,
trabalham dentro de outras caixas, e para irem de uma caixa à outra,
entram em caixas que andam. Eles vêem tudo separado, porque são o
Povo das Caixas...."
(frase de
um pajé do povo Kaingang, recolhida por Lúcia Fernanda
Kaingang)
- "Não compreendemos porque
uma filha dos Kaingang precisa estudar leis escritas e aprender saberes
que não são nossos. O que você precisa saber que nossos velhos não
podem lhe ensinar ? O que se pode aprender de um Povo que não respeita
seus anciãos e abandona suas crianças ? Para que irá um Kaingang estudar
leis feitas por estranhos, leis que eles mesmos não cumprem ? Não!
Nunca compreenderemos que a lei não seja conhecida por todos, porque
nossas leis não são escritas, mas são cumpridas porque são sagradas."
(frase de líderes do povo Kaingang registradas em 1995 por
Lúcia Kaingang, advogada indígena, quando decidiu
estudar Direito)
- "Eu acho que o branco
vai resolver problema do branco. Quem vai resolver meu problema é
eu."
(Raoni
; líder do povo Caiapó)
-
"...Esta
terra, aqui, era nossa. E agora eles comeram. Agora está
tudo feio. Eu estou triste de ver o que foi feito aqui, o que a
mão do branco fez. O lugar onde eu nasci. Destruíram
tudo. Isso aqui era parte da nossa terra. Aqui, era uma terra boa.
Eu não gosto do trabalho dos garimpeiros. Vocês mataram
a floresta. O rio acabou. Acabaram os peixes. (...) Por quê
o chefe de vocês mandou destruírem essa terra ? O chefe
de vocês tem que entender que vocês não podem
ir pra nossa terra. Eu não gosto de destruição.
Eu não gosto disso aqui não. Eu nasci aqui. Eu caçava
aqui. Pescava aqui. Aqui, era minha terra. Não é a
terra de vocês. (...) Olha essa terra aqui. Eles comeram o
lugar onde eu nasci. Tudo acabou. (...) Eu vou explicar pro chefe
dos brancos que vocês acabaram com tudo, com a floresta e
com a água."
(Aké
Panará ; líder do povo Panará. Em 1974
esses índios foram transferidos de sua terra original por
causa da construção da rodovia Cuiabá-Santarém.
Dezoito anos depois, Aké retornou à sua terra, uma
floresta que se transformara num garimpo abandonado, e não
conteve seu desabafo.)
-
"...
a preservação da cultura indígena, em vez
de barrar o progresso, como dizem alguns caçadores de índio,
estará salvando nosso país da destruição
de muitos valores, provocada por essa selvagem civilização
tecnocrata."
(Margarida
Tapeba ; professora indígena do povo Tapeba.)
"A gente tinha uma
insatisfação que não passava. Fomos conversando
sobre a força dos nossos usos e costumes. Deu muita vontade
de aprender mais, para poder também ensinar um dia. A vida
tem que ter um sentido, uma sequência. (...) Hoje eum sei quem
sou. Estou em paz. Minha língua, minha cultura, são
muito ricas e bonitas. Elas são nossa identidade. Sei da beleza
e da força da natureza. Sinto a força do pensamento.
Quando ele é firme não existe nada impossível,
nem nada superior ou inferior."
(Raimunda
Yawanawá ; a primeira mulher do povo Yawanawá a
tornar-se pajé, falando sobre os motivos de sua escolha e seu
pensamento hoje em dia)
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