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Boletim de Histórias - número 22 Índice 1. Introdução:
Histórias Indígenas sobre o Dilúvio
1.
Introdução: Histórias Indígenas sobre Dilúvios A "Arca de Noé" é uma das mais conhecidas histórias de todo o mundo: após 40 dias de chuva sem fim, a água cobriu todas as terras. Salvaram-se apenas Noé, sua família e um casal de cada bicho que, após o fim do dilúvio, povoaram novamente a terra inteira. A história de Noé faz parte da mitologia judaica. Em vários outros locais porém, também contam-se histórias sobre a terra sendo coberta pelas águas: na antiga Babilônia, na Grécia... Também na Lituânia com sua bela lenda sobre os gêmeos Wandu e Wejas, a água e o vento, que destruiram toda a terra exceto as cascas das nozes comidas pelo deus Pramzimas, e que serviram de abrigo para um casal que sobreviveu ao dilúvio. Há muitos outros destes relatos... Entre os índios do Brasil também existem histórias sobre o ciclo de destruição da terra e sua posterior reconstrução pelos sobreviventes. Este boletim da Iandé traz duas histórias indígenas sobre grandes dilúvios que se abateram sobre os índios. São histórias dos índios Kaingang e Guarani, duas etnias que vivem nas regiões sul e sudeste do Brasil.
2.
História do Dilúvio, segundo os índios Kaingang Em tempos imemoráveis deu-se um dilúvio que cobriu a terra inteira habitada pelos antepassados dos índios Kaingang. Somente o cume da serra Krinjinjimbé (a Serra do Mar) sobressaía das águas. Os índios nadaram em direção à serra, cada um com um luminoso tição entre os dentes. Alguns não aguentaram e afundaram. Suas almas foram viver dentro das montanhas. Os Kaingang chegaram ao alto da serra com dificuldade. O espaço era pequeno e muitos subiram nas árvores porquê não havia lugar para todos. Passaram alguns dias sem que as águas baixassem e sem que houvesse mais alimentos. Os índios já esperavam a morte quando ouviram o canto das saracuras. Elas voavam trazendo cestinhos com terra que derramavam sobre as águas. O trabalho era lento e elas chamaram outras aves para ajudá-las. Depois de algum tempo, as águas começaram a recuar e formou-se uma planície onde os Kaingang já podiam viver. As saracuras haviam começado a jogar a terra do lado onde nasce o sol. Por isso é que os rios daquela região nascem todos na costa do Brasil e correm para dentro do continente, desembocando no grande rio Paraná. Alguns homens que haviam subido nas árvores decidiram não descer mais, e transformaram-se em macacos. Outros índios que haviam subido nas palmeiras jerivás deixaram os pés pendendo dentro das águas. Os índios comiam as frutas da palmeira e os peixes vinham apanhar os caroços jogados na água, mas mordiam também os pés daqueles índios. É por isso que hoje o dedo mindinho de nosso pé é menor que os outros.
Para saber mais:
3.
História do Dilúvio, segundo os índios Guarani Papari desejava desposar a irmã de seu pai, o que era proibido pelas normas da terra. Mas Papari realizou seu desejo e a terra começou a tremer. Quem primeiro ouviu foi o pássaro kuchiu (um pássaro que até hoje canta quando vai chover). Ele disse: "Ei, vocês ! Ouviram o que eu ouvi ?" Os outros fizeram troça dele. Mas a terra continuava a tremer e kuchiu não parava de se lamentar: "Vocês ouvem o que eu ouço ?". Mas como ninguém acreditava nele, ele se calou. Quando as águas chegaram, kuchiu foi o primeiro a voar. As outras aves também fugiram. Papari entrou dentro da correnteza e rezou aos céus: - Faça com que novamente surja uma pequena palmeira pindo azul, ó meu Pai primeiro ! Seu Pai teve piedade e fez crescer a árvore no meio das águas. Papari agarrou-se a ela e se salvou. Seu Pai lhe disse: - Agora sim, meu filho Papari, você possui o saber das coisas. Seu coração é grande, e isso é bom ! Se as coisas se arranjarem um dia, você, do alto, enviará palavras aos seus companheiros ! E Papari passou a ser chamado Karai Jeupié, o senhor incestuoso.
Para saber mais:
4.
Remos Indígenas
5. Atualizações no site Iandé
A-) Foi acrescentado um barco de brinquedo no Museu Iandé: |
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Iandé
- Casa das Culturas Indígenas
: rua Augusta 1.371 , loja
07 - Galeria Ouro Velho - São Paulo
Horário de funcionamento: segunda a sexta das 9:00 às 17:30h ; sábado das 9:00 às 14:00h |
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fone:
(11) 3283.4924
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iande@uol.com.br
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