Iandé Arte com História |
a arte do Brasil
feita em
comunidades tradicionais |
| localize-se> Página Inicial> Cadastro> Boletim #12 - 05/agosto/2006 |
|
Boletim de Histórias - número 12
Índice 1. Introdução:
Cerimônia do Kuarup
1. Introdução: Cerimônia do Kuarup O mês de Agosto marca o fim da estação seca na região do Brasil Central. Para alguns índios que vivem no Parque do Xingu, no estado do Mato Grosso, essa é a época para realizar sua principal cerimônia: o ritual do Kuarup. O propósito do Kuarup é homenagear os mortos. A aldeia que organiza o Kuarup, convida outras aldeias vizinhas para participar da celebração daquele ano. O resultado é que o ritual acaba sendo também um grande acontecimento social, com a reunião de centenas de indígenas de grupos diferentes. No ano seguinte, o Kuarup é realizado em uma aldeia diferente. Já foram realizados vários documentários e reportagens sobre o Kuarup: a etiqueta dos ritos para a alma dos falecidos, os cantos e danças, a luta corporal que encerra a cerimônia, etc... Por sua beleza e simbolismo o Kuarup aparece todos os anos na mídia. Esse boletim traz a história do primeiro Kuarup. Também mostra alguns adornos vestidos pelos grupos indígenas do Alto Xingu em suas festas. A propósito: o nome Kuarup é como se chama, na língua Kamayurá, uma árvore que é cortada para fazer os troncos que representam o espírito dos mortos nesse ritual. Segundo os índios Kuikuro, outro grupo que também celebra a festa do Kuarup, essa árvore é chefe de todas as árvores que existem.
Para saber
mais:
2. O Primeiro Kuarup Contam os índios Kamayurá que o primeiro homem a andar na terra foi Mavutsinim. Ele ensinou várias coisas aos índios e é o avô dos gêmeos Sol e Lua. Mavutsinim queria que os mortos voltassem a viver. Ele foi até a floresta e cortou três troncos da árvore Kuarup. Trouxe as toras para a aldeia e as pintou. Depois colocou enfeites nelas: o cocar, braçadeiras, colares, cintos de algodão... tudo como se fossem gente. Por fim, mandou fincar os três postes no pátio da aldeia. Ele chamou o sapo cururu e a cutia para cantar junto dos troncos. Os dois cantavam sem cessar, sacudindo seus maracás na mão direita, chamando os troncos à vida. Mavutsinim disse a todos que os troncos iam viver como gente vive. Os índios todos se enfeitaram para comemorar. Quiseram chorar pelos mortos, mas Mavutsinim não permitiu, dizendo que eles iam viver e não se podia chorar por eles. Enquanto isso o sapo e a cutia não paravam seus cantos nem por um instante e assim continuaram por toda a noite.. Na manhã do segundo dia, Mavutsinim proibiu os índios de ver os troncos. Naquela noite, os troncos começaram a se mexer um pouco. Já queriam ser gente. No terceiro dia, a metade de cima dos troncos já havia virado gente. Da madeira nasciam braços e pernas, que não paravam de se mexer. Mavutsinim mandou que todos se trancassem em suas casas para que a transformação se completasse. Quando os troncos já estavam quase vivos, Mavutsinim mandou os índios saírem de suas casas para gritar, fazer barulho e rir junto com os Kuarup. Só não podiam sair, os índios que tiveram relação sexual com suas mulheres durante a noite. Só um homem ficou dentro de casa. Porém, ele não aguentou de curiosidade e saiu depois. Na mesma hora, os Kuarup pararam de se mexer e viraram madeira novamente. Mavutsinim ficou zangado com o homem. Depois sentenciou: "Agora vai ser sempre assim. Os mortos não reviverão mais quando se fizer Kuarup. Agora vai ser só festa." Não se sabe onde foram largados os troncos do primeiro Kuarup, mas estão até hoje lá no Morená.
Para saber
mais:
3. Adornos Indígenas do Alto Xingu O Parque do Xingu foi criado em 1961. É uma área na região nordeste do estado do Mato Grosso onde vivem quinze grupos indígenas diferentes. Na parte sul do Parque fica a região chamada de Alto Xingu, mais próxima da área onde nasce o rio Xingu. No Alto Xingu, vivem dez, dos quinze grupos indígenas diferentes de todo o Parque. Esses dez grupos falam línguas distintas entre si; porém praticam os mesmos costumes, rituais e utilizam adornos semelhantes. O Kuarup é um dos rituais praticados por esses grupos. As dez etnias que vivem no Alto Xingu são: Kamayurá, Aweti, Kuikuro, Kalapalo, Matipu, Nafukwá, Waurá, Mehinaku, Yawalapiti e Trumai. Um dos mais belos adornos, característico de todos esse grupos, é o cocar feito de uma base trançada de palha e recoberta de plumas de diversas aves. Essa é uma peça de uso cerimonial, equivalente a uma roupa de gala.
Outro adorno típico do Alto Xingu, são os brincos masculinos. As orelhas dos adolescentes são perfuradas em uma cerimônia que marca o fim de um período de reclusão.
Outro ornamento típico do Alto Xingu é o colar de placas de caramujo. É um adorno obrigatório em toda ocasião social. Como alguns índios não o possuem, e outros possuem vários, há um complexo sistema de empréstimos nessas ocasiões. Os colares com placas maiores são usados pelos homens e os menores são femininos. Na ornamentação do tronco do Kuarup, os índios utilizam uma versão de uso cerimonial, onde o algodão que amarra as diversas placas é montado sobre uma haste de madeira.
Para
saber mais:
4. Atualizações no site Iandé
C-) Foram acrescentadas também, algumas peças no Museu Virtual da loja Iandé.
- Banco de Madeira em Forma de Onça, dos índios Juruna - Labrete de Pedra, dos índios Parakanã
|
|
Iandé
- Casa das Culturas Indígenas
: rua Augusta 1.371 , loja
07 - Galeria Ouro Velho - São Paulo
Horário de funcionamento: segunda a sexta das 9:00 às 17:30h ; sábado das 9:00 às 14:00h |
|
fone:
(11) 3283.4924
|
email:
iande@uol.com.br
|